quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Missionários Combonianos



Três testemunhos pertencentes aos Missionários Combonianos. Todos eles se dedicam de alma e coração ao Anúncio do Evangelho, onde ajudam a que as pessoas tenham uma vida mais digna, segundo os ensinamentos de Cristo Jesus.


Os Missionários Combonianos encontram-se em quatro continentes, e o seu fundador foi Daniel Comboni. "Deu a sua vida por África".




sábado, 8 de outubro de 2011

A Adoção vista por João Paulo II


ADOÇÃO
Se é verdade que nuvens densas ameaçam hoje a família, é consolador verificar os testemunhos de generosidade que em grande número se acendem nas famílias cristãs, levando o coração a abrir-se à esperança. As opções cristãs encontram-se não raro em contradição com a mentalidade ambiente; no entanto, a carga de novidade que em si transportam fazem delas propostas vivas e estimulantes para todos. Neste aspecto, a adoção é um sinal com o qual a família cristã declara não querer fechar-se em si mesma, quando confrontada com situações que exigem uma ajuda especial.
A decisão de adoptar um filho nunca é fácil: com efeito, comporta a assunção de obrigações e sérias. Mas é uma decisão que enriquece a comuni­dade.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

No fim do dia...

Todos temos momentos em que nos permitimos alguma divagação. Hoje sinto-me particularmente estranha. Parece que não me faço perceber. Ou são os outros que não me ouvem, ou não querem ouvir? Enfim... espero que o dia de amanhã seja melhor. Pois não estou em plena forma. Preciso de mais força e coragem para enfrentar novos obstáculos no sentido de os ultrapassar da melhor forma possível. Peço a Deus que me auxilie durante esta caminhada, que é a minha vida.
Eu a projetar o meu futuro. A reformular objetivos, caminhos a percorrer. Só tenho uma certeza: Ser feliz. Para isso, espero encontrar uma pessoa que ame e me ame. E que me ajude a melhorar, um pouco que seja, o mundo cheio de conflitos e incertezas.
O tempo passa depressa... 

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Educris

A missão do professor católico na Escola Católica

  
Duzentos e trinta e três professores de dezassete escolas católicas inauguraram o novo ano lectivo com dois dias de formação subordinados ao tema “A Missão do professor católico na Escola Católica”. A iniciativa foi do Colégio Rainha Santa, de Coimbra, em colaboração com o Secretariado Nacional de Educação Cristã. Os formadores, Oscar Alonso e Carmen Pellicer, trouxeram a tão necessária lufada de ar fresco, ainda que seja apenas isso, em tempo de crise educativa e de outras crises.
Oscar Alonso, baseando-se na sugestiva metáfora das instruções aos passageiros de um avião, referiu a necessidade de, em primeiro lugar, garantirmos o oxigénio, a nós próprios, educadores, para, então, e só então, ficarmos aptos e abastecer os nossos educandos e salvá-los das asfixias que os ameaçam. Na verdade, apenas se educa, verdadeiramente, por contágio, por osmose.
É tempo de aprender e ensinar a conjugar os verbos “convocar”, “acolher”, “curar”, “acompanhar”, “fortalecer”, “possibilitar”, “regenerar”, “promover”… É urgente anunciar a boa nova e ensinar a sonhar despertos com um mundo mais justo, solidário e comprometido, trabalhando em rede, neste campo imenso e complexo. Um educador terá de perguntar-se, a cada momento: o que estou a fazer agora aproxima-me do lugar onde quero estar amanhã? Trata-se de sair, continuamente, da sua “zona de conforto”, aprendendo a olhar a escola com os olhos de Cristo e, assim, mudar, inovar, nos campos da gestão, da pedagogia e da pastoral, obedecendo ao chamamento de um projecto educativo.
O que é um projecto? É, precisamente, o sonho que nos seduz e atrai, de longe. Uma escola é o que for o seu projecto; não importam as suas instalações ou os seus meios técnicos. O projecto reflecte-se fielmente no modelo concreto de pessoas, de relações, de verbalizações, de acções, de eleições; uma escola cristã elege como seus destinatários preferenciais os mais pobres de entre todos: os que não têm bens materiais, os que não têm bens afectivos (família, amigos); os que não têm bens culturais; os que estão longe da Fé.
Tão grande tarefa requer uma escolha cristã comprometida; não podemos fugir ou, tão pouco, ser meros espectadores. Não basta um cristianismo emotivo, pleno de sentimentos gratificantes; ou um cristianismo ético, feito apenas de comportamentos mais ou menos habituais e mecânicos; nem, ainda, um cristianismo de auto-realização egocêntrico e imaturo que, ao primeiro embate se desmorona. Requer-se, em tempo de crise, um cristianismo verdadeiro e fermentador, de total doação e compaixão radical. Assim, um professor reúne as condições para transformar-se em educador que, além de ensinar, educa; e, finalmente, de educador acede a ser mestre, que, além de educar, forma discípulos que o vêem como mestre e o seguem. Um mestre é um provocador, como o Mestre o foi, que apresenta o equilíbrio perfeito de ternura e firmeza; de autenticidade e de congruência; de aceitação incondicional dos educandos e de empatia; conjugando um elevado grau de envolvimento na sua missão com a satisfação. Este mestre, sendo discípulo do Mestre, torna-se capaz de “ser boa notícia” para o mundo, encarnando em si os valores da justiça e do amor.
Que formação se exige para os professores/educadores/mestres na Escola Católica? Uma formação antropológica (que clarifique a visão cristã do homem); pedagógica (por dentro das metodologias e didácticas de ensino-aprendizagem); psicológica (que compreenda o funcionamento mental e afectivo dos seres humanos nas suas diversas fases de crescimento); teológica (em cristologia, eclesiologia, de forma a superar a profunda ignorância de muitos educadores); conducente à autonomia e à liberdade (um educador/ mestre é discípulo apenas de Cristo e, por Ele, torna-se um servidor; mas não é servente de nenhum outro); comprometida com a Justiça; capaz de sonhar o possível.
Carmen Pellicer, igualmente inspiradora, abordou aspectos relacionados com os modos concretos de “fazer” a educação no trabalho quotidiano. Se um bom mestre pode mudar a vida de muitos e se uma boa comunidade educativa pode mudar comunidades inteiras é urgente encontrar os meios adequados para uma educação potente e transformadora.
Não é possível continuar a ignorar os padrões de funcionamento da mente, pretendendo manter activa a atenção dos educandos, durante horas, sem os captar por dentro. Não é uma boa educação (nem uma boa escola católica) a que não é capaz de revolucionar a mente dos alunos, co-mover os alunos, estimular as suas múltiplas inteligências, reconhecendo-as e promovendo-as de forma integral. Por isso, a inovação pedagógica não é a parte profana da escola católica e da pastoral; é a sua essência, se não nos contentamos com banalidades e superficialidades educativas. Não basta, à Escola Católica, formar “bons alunos”; é necessário formar para lá do tempo da escola, adultos íntegros e boas pessoas. A qualidade educativa da Escola Católica não se fica pela qualidade académica. A missão da escola católica não é, ainda, meramente, evangelizar os católicos; é, sim, transformar a vida de todos os que por ela passam, educando a mente, educando a interioridade. É a escola com a missão profética de se tornar farol e educar pessoas capazes de enfrentar o futuro. E, para isso, tem de abrir-se ao que há de melhor nas novas metodologias e nas novas maneiras de compreender e educar a mente.
Esta necessária transformação faz-se através de uma nova consideração dos currículos e de novas metodologias que conferem renovados papéis ao professor. Estas são as chaves da inovação que abrem as portas para educar e desenvolver a inteligência e a competência espirituais. Resume-se brevemente a abordagem que foi efectuada a estes diversos elementos.
Os currículos. É urgente afastar uma concepção aditiva, fragmentada e acumulativa de currículo – o cérebro não cresce por lhe metermos muitas coisas dentro. A fragmentação a que sujeitamos o conhecimento é fictícia e redu-lo a uma catadupa de informações desprovidas de sentido. O conhecimento real é global e interdisciplinar. O nosso ensino só estimula a memória de curto prazo e descura as outras “memórias” bem mais eficazes e profundas. A incidência nos exames é reveladora desta superficialidade, já que estes apenas avaliam a memória de curto prazo. Os currículos terão de ter muito “menos”, mas com muito mais profundidade. Os currículos têm sido apenas as folhas, as ramas do conhecimento, quando nas raízes encontramos coisas bem mais potentes. Nas raízes encontramos competências e virtudes: ser resiliente, seguro de si, compassivo, criativo, empreendedor, pleno de recursos. Educar e, também, evangelizar, requer que se vá às raízes mais profundas da personalidade. E o mais profundo está na educação da mente.
As metodologias. Não se trata da mente que se “avaliava” com testes de inteligência – estes apenas captavam uma ponta do icebergue. Além disso, o conhecimento não se constrói diagnosticando debilidades, mas com as “fortalezas” de cada criança. É preciso mudar a pergunta “como se ensina” para “como se aprende”. Ao contrário do aluno que “é ensinado”, o aluno que “aprende” está apto a crescer e a transformar-se a partir de dentro. Gastam-se excessivas energias com a motivação externa dos alunos. Mas o desafio consiste em gerar processos internos e intensos que desconectem o aluno das dispersões e o centrem na actividade de aprendizagem. O nível de implicação na actividade e o grau de bem-estar na sua realização são fulcrais no desenvolvimento e numa verdadeira aprendizagem. Esta aprendizagem real é ruidosa e, até, caótica; não é, certamente, silenciosa e ordenada. A disciplina e o controlo externos estão longe de garantir a aprendizagem; a autêntica disciplina é a que resulta da intensidade da implicação na tarefa.
Os novos papéis do professor. O professor não pode continuar a ser um transmissor de conhecimentos, mas um coreógrafo que organiza os cenários de aprendizagem mais adequados, sem medo do caos, sem medo de perder o controlo: há que “converter-se”! Um bom professor manipula com perícia as forças culturais que definem as aulas: o tempo (dando-o, sem pressas e com abundância, à reflexão profunda); as oportunidades (diferentes, para que os alunos aprendam de muitas e diversas maneiras); as linguagens (verbais e não verbais, em coerência com as finalidades educativas); as interacções e as relações interpessoais (de respeito, cooperação, solidariedade…); os contextos e os espaços (organização e gestão dos ambientes de aprendizagem, da participação, da acção, do silêncio…); as expectativas (inibindo as expectativas que mutilam e potenciando as que fazem desabrochar a inteligência; cultivando a confiança nas capacidades construtivas dos alunos).
O desenvolvimento da inteligência/competência espiritual. Por estranho que pareça, a ênfase e interesse na inteligência espiritual surgiram nos meios empresariais (ao constatar que as pessoas que gozam de bem-estar espiritual – diferente de auto-estima, de que se tem abusado em excesso – são bem mais produtivas) e no âmbito da saúde (ao perceber que a saúde física era, em grande parte, dependente da saúde espiritual).
É possível educar a inteligência espiritual? Não se pode fazê-lo sem educar todas as outras inteligências (cfr. Gardner) e sem a dimensão da profundidade. Também não é possível conceber uma educação espiritual imersa no relativismo. As pessoas são respeitáveis, mas nem todas as culturas o são. Esta educação faz-se com base num corpo de valores universais e irrenunciáveis, como os que estão presentes na Declaração Universal dos Direitos do Homem, ou nas motivações radicais de sentido de personalidades modelares (Madre Teresa de Calcutá, Ghandi, entre muitos outros).
Há experiências que activam de forma prioritária a dimensão espiritual da inteligência e que, por isso, constituem meios privilegiados para a educação espiritual: narrar-se a si mesmo – narrar experiências profundas leva a construir significados; educar na curiosidade – que aguça o sentido de mistério, sem o qual não existe Ciência; educar na escuta activa – criando espaços orientados de diálogo; educar para um compromisso com a Justiça – bem longe das “espiritualidades zen” que em nada comprometem; aprender a preencher, construtivamente, o tempo subjectivo (cf. David Hay) – falar consigo mesmo, sonhar acordado…; ajudar a compreender o novo através de símbolos e metáforas; respeitar a hierarquia de verdades – transmitindo, de forma potente, o que é fundamental, sem os aspectos acessórios e anedóticos (não podemos continuar a contar contos tradicionais da Bíblia: Maria Madalena, por exemplo, não era uma prostituta; o rigor é uma exigência da educação espiritual); centrar em Cristo; dar a conhecer a experiência do Amor cristão como lei de vida, que se derrama sobre justos e injustos.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

JOb+: Textos bíblicos, Taizé

Agosto:


João 16,16-24: A vossa tristeza há-de converter-se em alegria Jesus disse aos seus discípulos: «Ainda um pouco, e deixareis ...

Jesus disse aos seus discípulos: «Ainda um pouco, e deixareis de me ver; e um pouco mais, e por fim me vereis.» Disseram entre si alguns dos discípulos: «Que é isso que ele nos diz: ’Ainda um pouco, e deixareis de me ver, e um pouco mais, e por fim me vereis’? E também: ’Eu vou para o Pai’?» Diziam, pois: «Que quer ele dizer com isto: ’Ainda um pouco’? Não sabemos o que ele está a anunciar!».

Jesus, percebendo que o queriam interrogar, disse-lhes: «Estais entre vós a inquirir acerca disto que eu disse: ’Ainda um pouco, e deixareis de me ver, e um pouco mais, e por fim me vereis’? Em verdade, em verdade vos digo: haveis de chorar e lamentar-vos, ao passo que o mundo se há-de alegrar. Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria! A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque chegou a sua hora; mas, quando deu à luz o menino, já não se lembra da sua aflição, com a alegria de ter vindo um homem ao mundo. Também vós vos sentis agora tristes, mas eu hei-de ver-vos de novo! Então, o vosso coração há-de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria. Nesse dia, já não me perguntareis nada. Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai em meu nome, ele vo-la dará. Até agora não pedistes nada em meu nome; pedi e recebereis. Assim, a vossa alegria será completa.» (João 16,16-24)

Nunca é fácil dizer adeus, especialmente se for a alguém que nos amou e que deu à nossa existência esperança e um sentido. Jesus anuncia aos seus discípulos que deve partir. Fala da sua partida como «ir para o Pai» (Jo 16,5; 17). Compreensivelmente, os discípulos entristecem-se com este anúncio e com a separação. Porque a explicação de Jesus é enigmática, estão não só tristes mas também confusos.

Esta passagem do Evangelho está situada antes da paixão de Cristo, quando Jesus tenta preparar os seus discípulos para a sua morte. Porém, foi escrita após esse momento. João escreve para uma comunidade de cristãos que está desanimada. Acreditam na mensagem de Jesus, crêem na ressurreição, mas a mensagem deste anúncio não foi bem recebida. Não será semelhante à situação das comunidades cristãs actuais? Numa sociedade secularizada e altamente tecnológica, parece, por vezes, que não há lugar para a mensagem do Evangelho.

Jesus não promete modificações na vida externa dos discípulos. A vida destes não será mais fácil apenas porque decidiram segui-lo. Jesus diz até que o mundo se vai alegrar quando vir a sua tristeza (v. 20). Então, como é que Jesus restaura a esperança dos seus discípulos?

Fá-lo ao convidá-los a ter um olhar diferente sobre os acontecimentos. A tristeza coloca um véu sobre os nossos olhos e distorce a realidade. Quando a dor invade os nossos corações, podemos permanecer tão fechados em nós mesmos que deixamos de ver o que acontece. Isto conduz-nos ao desânimo, um poderoso inimigo. Pela sua morte e ressurreição, Jesus revela-nos que o sofrimento, a dor e a morte, apesar de serem reais, não têm a última palavra.

Para o explicar, Jesus conta uma parábola que fala sobre a experiência universal de uma mulher que dá à luz (v. 21). No parto, a mulher não pode escapar à dor, obrigatória para que possa atingir a alegria. Da mesma maneira, a cruz somente pode ser entendida à luz da ressurreição. Esta não elimina a cruz, mas transforma o sofrimento em esperança, permitindo aos discípulos acreditar que, apesar da dor, é possível um futuro. Jesus faz aos seus discípulos o convite de ver o mistério pascal como o paradigma da experiência humana e cristã.

A alegria verdadeira liberta-nos. Uma falsa alegria é efémera e pode conduzir à servidão. De modo a libertarem-se da sua pena, os discípulos têm que descobrir uma alegria que seja tão impressionante como a sua dor. Esta alegria não é artificial. Assim como a vida, é um dom, dado nos momentos mais inesperados. É uma felicidade interna que coloca a descoberto uma esperança tantas vezes escondida. É a alegria de onde retiramos a generosidade para dar a nossa vida pelos outros. É a alegria da ressurreição.

- Em que momento tive a experiência de uma situação de dor que foi transformada em alegria?

- Na minha vida quotidiana, o que me ajuda a fazer «uma opção pela alegria»?

- De que forma esta opção altera o modo como vejo a minha vida e os acontecimentos?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

JMJ - Madrid 2011


JORNADAS MUNDIAIS DA JUVENTUDE 2011

FIRMES NA FÉ

Catequese dia 17:
Paróquia “Los doce Apóstoles”

Caríssimos jovens,
Permiti que comece por vos falar citando um texto do Concílio Ecuménico Vaticano II, o qual estamos prestes a celebrar 50 anos de existência, com toda a novidade e verdade que trouxe à Igreja! Na Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina, o Concílio diz, de uma forma breve e sucinta, o modo como Deus se dá a conhecer: «Em virtude desta revelação, Deus invisível (cfr. Col. 1,15; 1 Tim. 1,17), na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos (cfr. Ex. 33, 11; Jo. 15,1415) e convive com eles (cfr. Bar. 3,38), para os convidar e admitir à comunhão com Ele. Esta «economia» da revelação realiza-se por meio de ações e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal maneira que as obras, realizadas por Deus na história da salvação, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido» (DV 2).
Deste texto, gostava de sublinhar algumas ideias. A primeira é que é Deus que toma a iniciativa de se comunicar, de se dar a conhecer. E fá-lo, não por qualquer outra causa, mas pelo o amor que nos tem, amor que tem por toda a humanidade. Mas este amor é um amor forte e fiel, é um amor que quer a plenitude! Ele é, só e apenas, Amor. Por isso, e esta é a segunda ideia, o Deus Amor, o Deus que nos ama, que gosta de nós, quer conviver connosco! Ser um connosco! Mas para quê? Porque é que Deus se baixa até cada um de nós? Simplesmente para conviver connosco, para ser nosso amigo e nos oferecer a salvação. Salvação que nós acolhemos e recebemos na medida em que livremente queremos conviver com Deus.
A Bíblia revela-nos toda uma história de salvação. Deus a caminhar com um povo, sendo sempre fiel ao amor, embora encontrando muitas negações e infidelidades. Tomada à letra, a Sagrada Escritura não parece uma manifestação de Deus Amor. Tantas infidelidades. A Bíblia diz mesmo que “se perdeu a fidelidade”. Teimando na estima que Deus tem pelo Homem, a incarnação de Cristo é o máximo do amor. Torna-se um de nós. Sempre do lado do Homem e num amor mais concreto com os mais pobres e necessitados. Se do lado do homem há respostas de “sim” e “não”, basta ver os episódios relacionados com os Apóstolos, Jesus Cristo dá sempre um “sim” fiel, firme, sólido, constante. Nada o demove mas tudo o comove por Amor. 
Hoje, nós somos este Povo de Deus que deve corresponder fielmente ao amor de Deus. Sabemos que “Ele fixa amorosamente os olhos” e ama cada um como é. Isto é o cristianismo. Deixar-se tocar pelo amor e corresponder com fidelidade e firmeza.
Aqui reside a importância da nossa participação eclesial! É na Igreja que Deus, através das palavras e gestos salvíficos, vem ao nosso encontro, de forma plena e nos concede a salvação, à qual nós respondemos pela fé. Mas, cuidado, tenhamos bem presente que a fé não é um aceitar de verdades abstractas, sem as compreender. A fé é uma vida de relação, íntima e pessoal, com Deus, através de Jesus Cristo. Ter fé implica viver em comunhão com Deus. No Deus que nos fala pela Revelação e que nos ‘toca’ com gestos salvíficos em cada um dos sacramentos que celebramos. Mais, fala-nos e abraça-nos com uma mensagem terna e meiga, mas ao mesmo tempo exigente, através da Sua Igreja, que «em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano» (LG 1).
Contudo, o cristianismo no seu todo, e cada cristão em particular, na sua vida muito concreta, confronta-se com a ideia do «esquecimento de Deus». A vida moderna parece desenvolver-se à margem da fé. Ou dito de outra forma, a fé não transforma a vida. A relação de amizade com Deus por vezes não influencia a nossa vida. Sabemos, por experiência própria, que fomos criados para a plenitude, que não nos devemos contentar com mediocridades e que devemos querer sempre mais. Que só Deus é a resposta a aos nossos anseios mais profundos de verdade, de beleza e de autenticidade. Mas nós, cristãos, e sobretudo vós jovens, não nos podemos esquecer daquilo que o Papa Bento XVI nos diz na Mensagem para estas Jornadas:
Não, o homem é verdadeiramente criado para aquilo que é grande, para o infinito. Qualquer outra coisa é insuficiente. Santo Agostinho tinha razão: o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Ti. O desejo da vida maior é um sinal do facto que foi Ele quem nos criou, de que temos a Sua «marca». Deus é vida, e por isso todas as criaturas tendem para a vida; de maneira única e especial a pessoa humana, feita à imagem de Deus, aspira pelo amor, pela alegria e pela paz. Compreendemos então que é um contra-senso pretender eliminar Deus para fazer viver o homem! Deus é a fonte da vida; eliminá-lo equivale a separar-se desta fonte e, inevitavelmente, a privar-se da plenitude e da alegria: «De facto, sem o Criador a criatura esvaece» (GS 36). A cultura actual, nalgumas áreas do mundo, sobretudo no Ocidente, tende a excluir Deus, ou a considerar a fé como um facto privado, sem qualquer relevância para a vida social. Mas o conjunto de valores que estão na base da sociedade provém do Evangelho — como o sentido da dignidade da pessoa, da solidariedade, do trabalho e da família — constata-se uma espécie de «eclipse de Deus», uma certa amnésia, ou até uma verdadeira rejeição do Cristianismo e uma negação do tesouro da fé recebida, com o risco de perder a própria identidade profunda» (nº 1).
Numa linguagem humana, podemos dizer que Deus é fiel a um amor único. E nós? É uma questão a enfrentar todos os dias. Sejamos sinceros e honestos. Há momentos em que não custa afirmar o amor a Deus. O espaço fraterno do nosso grupo, a vida familiar onde Deus conta, uma Eucaristia organizada por nós, estas Jornadas Mundiais que nos proporcionam experiências fortes, etc.
E depois?
O quotidiano do confronto com colegas que nos julgam, criticam, gozam…?
Certas experiências e ambientes mais sedutores e atractivos…?
É aí que se mostra a firmeza da nossa escolha e a qualidade do nosso amor. A fé não é de momentos. Enche a vida. Está em tudo no que se diz ou faz, nas opções ou na rotina. Gera confrontos mas espera coerência. Estar do lado de Cristo e da Igreja sempre complica a vida mas dá-lhe encanto. Muitos contentam-se com as emoções passageiras. Um jovem cristão aguenta, está firme e caminha serenamente perante os mais variados ambientes. Aplausos? Assobios? Gozo? Cristo e a Igreja são mais fortes.
Escutemos, mais uma vez, o Papa Bento XVI quando nos diz o que é a fé e como se cultiva este diálogo amoroso e firme com Deus:
«Abri e cultivai um diálogo pessoal com Jesus Cristo, na fé. Conhecei-o mediante a leitura dos Evangelhos e do Catecismo da Igreja Católica; entrai em diálogo com Ele na oração, dai-lhe a vossa confiança: ele nunca a trairá! “Antes de mais, a fé é uma adesão pessoal do homem a Deus. Ao mesmo tempo, e inseparavelmente, é o assentimento livre a toda a verdade revelada por Deus” (CCE 150). Assim podereis adquirir uma fé madura, sólida, que não estará unicamente fundada num sentimento religioso ou numa vaga recordação da catequese da vossa infância. Podereis conhecer Deus e viver autenticamente d’Ele, como o apóstolo Tomé, quando manifesta com força a sua fé em Jesus: “Meu Senhor e meu Deus!”» (nº 4).
O desafio actual é tremendo. O mundo coloca-nos permanentemente em questão. A história da Igreja mostra como os cristãos sentiram alegria em se assumirem como tal em tempos difíceis. Nem sequer tinham medo do martírio. Nunca esqueciam que a fé é adesão pessoal a Cristo e assentimento livre a toda a verdade. É preciso ter coragem para remar contra a corrente. É fácil ser firme, coerente e fiel no amor? Não. Mas temos algumas ferramentas sugeridas pelo Santo Padre que poderão ajudar a aprofundar a nossa relação com Cristo. Assim conseguiremos permanecer fieis e firmes mediante a oração, a leitura dos Evangelhos, o Catecismo da Igreja e, agora, o Youcat.
Se aceitarmos este percurso, verificamos que a fé é um dom precioso, no qual Cristo se manifesta a cada um de nós, a cada ser humano. Cristo mostra-nos Deus! Então, a fé ilumina a vida dos crentes, transformando-a, porque o homem foi criado à imagem de Deus e está feito para viver em relação com Deus. Só com a fé em Deus, que é o único em quem verdadeiramente poderemos ter a verdadeira e profunda fé, entramos em comunhão com Ele e a nossa vida é transformada por Ele. Toda a nossa vida é transformada à imagem de Deus: o que conhecemos e como conhecemos; aquilo de que gostamos e a nossa afectividade; e as nossas opções de fundo quotidianas, a nossa vontade, são, então, todas transformadas e convertidas por Deus, fazendo de nós «homens novos».
O mundo necessita de jovens cristãos. A Igreja precisa de vós. Sede, porém, autênticos. Não vos contenteis com as melodias passageiras. Dançai interiormente ao ritmo de Cristo e da Igreja. Ser firme na fé é não ter medo. Que estas Jornadas Mundiais fiquem marcadas pelo grito Evangélico do Beato João Paulo II: “Não tenhais medo. Abri o vosso coração a Cristo”. Que Ele o encha de alegria e esperança.


ALGUMAS QUESTÕES PARA REFLECTIR


Questões para a vossa reflexão pessoal, ou em grupo, para trazer dificuldades concretas ou partilha de vida, formulando perguntas ou apresentando experiências concretas.
Para muitos ter fé significa ter sido baptizado. Uma questão de tradição. Algo querido pelos pais, sem muita consistência.
Os tempos Apostólicos mostram que a fé significa adesão a Cristo e ao seu projecto. Fizeram-no. Falharam mas recomeçaram. O amor pessoal levou ao martírio.
Deixo três interpelações:
- Já assumimos a fé como dom e tarefa?
- Tememos o confronto com outras manifestações religiosas. Já o experimentaram?
- Como tomar, hoje, em Portugal, nesta sociedade, neste tempo, a fé como algo de firme?


TÓPICOS PARA A HOMILIA

A primeira leitura (Hb 11, 1-2, 7-11) fala-nos dos «antepassados» que são um exemplo para nós, pelo modo como viveram a fé. Mais, como essa fé os levou a uma vida plena e como podemos ver que Deus é sempre fiel às suas promessas e nunca abandona ninguém.
Hoje padecemos duma crise de memória. O jovem parece só querer o presente e o que ele lhe dá. Importa viver plenamente o presente com todas as energias mas na fidelidade. Só esta garante os frutos saborosos duma vida autêntica.
O Evangelho (Mt 14, 23-33) mostra-nos o Senhor a caminhar sobre o mar. Recordemos que o mar, para o povo hebreu, é o lugar das forças do mal, poderosas, e que só Deus pode domar. Por isso, aqui, Jesus revela-se como o Messias. Mas é um Messias próximo e que se revela de modo humano. Por isso, também Ele tem necessidade de se recolher em oração. Precisa de cultivar a relação com o Pai para cumprir a Sua missão. Também cada um de nós precisa de tempos e espaços de oração, para sermos fiéis à nossa opção por Cristo e para O acolhermos em toda a nossa vida. Há muita gente a pretender tempos mais tranquilos. Não sei porquê? Gosto de viver neste tempo agitado, de perplexidades e desafios. O medo, por vezes, quer invadir e atar os movimentos duma vida entregue a Cristo. Vejo que devo centralizar-me. O perigo parece estar fora. Mas está dentro de mim. Volto ao encontro com o amigo invisível mas forte. Celebro, encontro-me com Ele no Irmão, na Palavra, na Eucaristia, na oração, na comunidade. Os discípulos de Emaús estavam perdidos mas encontraram-se.
Na atitude de Pedro reflecte-se a nossa própria vida: o que conseguimos quando aceitamos a fé e o que a ausência de fé causa nas nossas vidas. Prioridade das prioridades é Cristo. Só enraizados permanentemente n’Ele é que aguentaremos e teremos alegria para oferecer a quem caminha connosco. Temos algo a dar ou a dizer na família, na Universidade, na comunidade, se tivermos Cristo no coração. É o desafio. Deus queira que seja o compromisso destas Jornadas para que a Igreja, em Portugal, a repensar a Pastoral, possa contar com jovens comprometidos com Cristo no seio das comunidades.

Madrid, 17 de Agosto de 2011
† Jorge Ortiga, A.P.